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Antiguo 13-mar-2010, 22:16   #1
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Red face GRITOS E SUSSURROS poema de OSCAR PORTELA

GRITOS E SUSSURROS poema de oscarportela

poema OSCAR PORTELA oscar portela oscar portela portela

versionado al portugués por VERA LUZ LAPORTA




De Oscar Portela

Homenagem a Ingmar Bergman


Fundidos na desmemória e no esquecimento
imagens, chamas de dor e cinzas
que ardem no oco mais recôndito
da alma, não somos senão isso, espaços
depositados ali aonde se funde o eco,
o apagado grito, a dor sussurrada
-jamais cantando – o grito soterrado
Debaixo dos campos de méis e de sois
tempos acumulados em cifras
descontínuas, fundidas em gritos e
sussurros de uma interminável agonia.


Quando o perdão, a comunhão que
flui de uns e outros, quando as
máscaras laceradas sejam julgadas
pelo vento, quando a dor, a sede,
se apagarão, como se apagam os
gemidos e o medo oculto, escondido
sairá de seu esconderijo como um tigre
Para devorá-lo todo? Mais nos vale
um canibal que o silêncio de Deus,
-a fé e os espelhismos de uma tarde
de outono que restará acesa
como um círio no fundido atroz da
memória – o vermelho, o vermelho do espanto
E o grito afogado desfazendo-se
No abismo dos desterrados.


Uma nota apenas poria paz em tudo,
-o equilíbrio dos astros, as noites
das mãos que se alçam para o céu
Para pedir o dom e para doá-lo - porque
Apenas se trata de dons e logo a dor daquilo
não conseguido, da mirada
quebrada, daquela de impassível calma
dos deuses. A manivela de um relógio
conta as mortas horas, o vazio
do tempo, de um milagre não acontecido e a feroz
espera. Dormir, dormir, tu pedes, bela morta
já entre sudários, porque a dor impede
que os mortos partam, e no jardim
de oliveiras, triunfem a honra e o canto


Em épocas onde falta a dor
Cresce o deserto, a sede tritura, e tu
apenas queres a mão dos vivos
para poder dormir o sonho dos
justos, isto é, viver se a vida sonhada
não é senão morte turva ou chamas
de ventos e cinzas ardentes fundidas
na memória do esquecimento. Assim vamos nós
-tudo vai assim – e logo apenas um óbolo
para quem comungou com os mortos
em vida. Ninguém pode afirmar, grande é
o medo, e retrocedemos ante o leproso
e a graça não será concedida.


Beatitude, serenidade, conseguidas, já no horto
apodrecem-se os morangos silvestres e uma
sombra – sombras das memórias
que se fundem – imagens que caem
as recolhem com calma e com dor.
Se esta é a sorte, pensa, canta
sorte e caminho. Sempre é bela a dor.










De Oscar Portela

Homenagem a Ingmar Bergman


Fundidos na desmemória e no esquecimento
imagens, chamas de dor e cinzas
que ardem no oco mais recôndito
da alma, não somos senão isso, espaços
depositados ali aonde se funde o eco,
o apagado grito, a dor sussurrada
-jamais cantando – o grito soterrado
Debaixo dos campos de méis e de sois
tempos acumulados em cifras
descontínuas, fundidas em gritos e
sussurros de uma interminável agonia.


Quando o perdão, a comunhão que
flui de uns e outros, quando as
máscaras laceradas sejam julgadas
pelo vento, quando a dor, a sede,
se apagarão, como se apagam os
gemidos e o medo oculto, escondido
sairá de seu esconderijo como um tigre
Para devorá-lo todo? Mais nos vale
um canibal que o silêncio de Deus,
-a fé e os espelhismos de uma tarde
de outono que restará acesa
como um círio no fundido atroz da
memória – o vermelho, o vermelho do espanto
E o grito afogado desfazendo-se
No abismo dos desterrados.


Uma nota apenas poria paz em tudo,
-o equilíbrio dos astros, as noites
das mãos que se alçam para o céu
Para pedir o dom e para doá-lo - porque
Apenas se trata de dons e logo a dor daquilo
não conseguido, da mirada
quebrada, daquela de impassível calma
dos deuses. A manivela de um relógio
conta as mortas horas, o vazio
do tempo, de um milagre não acontecido e a feroz
espera. Dormir, dormir, tu pedes, bela morta
já entre sudários, porque a dor impede
que os mortos partam, e no jardim
de oliveiras, triunfem a honra e o canto


Em épocas onde falta a dor
Cresce o deserto, a sede tritura, e tu
apenas queres a mão dos vivos
para poder dormir o sonho dos
justos, isto é, viver se a vida sonhada
não é senão morte turva ou chamas
de ventos e cinzas ardentes fundidas
na memória do esquecimento. Assim vamos nós
-tudo vai assim – e logo apenas um óbolo
para quem comungou com os mortos
em vida. Ninguém pode afirmar, grande é
o medo, e retrocedemos ante o leproso
e a graça não será concedida.


Beatitude, serenidade, conseguidas, já no horto
apodrecem-se os morangos silvestres e uma
sombra – sombras das memórias
que se fundem – imagens que caem
as recolhem com calma e com dor.
Se esta é a sorte, pensa, canta
sorte e caminho. Sempre é bela a dor.






__________________
Oscar Portela

Última edición por Oski2; 13-mar-2010 a las 22:29. Razón: error sintactico
Status: Offline
 
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banana, damajuana, palangana, pichana, virulana

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